Na foto, ‘card’ divulga audiência pública na câmara municipal, nesta quarta-feira, sobre Iprev

Os 12 mil servidores municipais e 4 mil aposentados de Santos têm duas grandes preocupações nesta e nas próximas semanas, além daquelas causadas pela falta de reajuste salarial há 36 meses.
A primeira é com a proposta de emenda constitucional (pec) 32-2020, cujo relatório foi encaminhado nesta terça-feira (30) ao presidente da câmara dos deputados, Arthur Lira (PP-AL).
A proposta, que prejudica os quase 11 milhões de servidores municipais, estaduais e federais, deverá ser votada entre os dias 14 e 15 de setembro na comissão especial.
A segunda preocupação é com a reforma previdenciária encaminhada à câmara de vereadores pelo prefeito Rogério Santos (PSDB), em 5 de agosto, motivo de audiência pública nesta quarta-feira (1º).
Os dois e outros assuntos foram esmiuçados na ‘live’ do sindicato dos estatutários Sindest, na noite de terça-feira (30), pelo presidente Fábio Pimentel e pelo diretor de comunicação, Daniel Gomes.

Desmonte dos
serviços públicos

Os diretores Carlos Nobre e Pedro da Matta, mais o jornalista e mediador William Ribeiro, também participaram da ‘live’, das 19 às 20h30, com transmissão pelo Facebook e Youtube.
Sobre a ‘pec’ da reforma administrativa, Fábio disse que, se aprovada, o funcionalismo “sofrerá duas vezes. Primeiro, como servidor. Segundo, como usuário dos serviços públicos”.
Para ele, a proposta do governo Bolsonaro, além de retirar direitos dos trabalhadores, rasga a constituição federal de 1988 e desmantela os serviços públicos utilizados por 98% da população.

Privilegiados
sentirão efeitos

“Precisamos gritar mais alto”, disse o sindicalista, ao vivo. “Onde vamos parar? É preciso acordar, lutar, pressionar os deputados, no caso da ‘pec’, e os vereadores, sobre a previdência do servidor”.
Para Fábio, se a ‘pec’ e a reforma previdenciária em Santos forem aprovadas, a culpa não será apenas do presidente Bolsonaro e do prefeito, mas também dos deputados e vereadores que aceitarem as medidas.
Sobre os serviços públicos atingidos pela reforma administrativa, entre eles os de saúde, educação e segurança, o presidente do Sindest alertou que até setores privilegiados sentirão os efeitos.

Protesto de
7 de setembro

“Mesmo que você tenha um bom plano de saúde, quem te vacina é o serviço público. Quem te socorre num acidente é o serviço público”. Segundo ele, a maioria dos tratamentos de câncer são públicos.
O sindicalista chegou mais tarde ao programa por estar participando da reunião de entidades e partidos que definiu o protesto de 7 de setembro, em Santos, na Praça das Bandeiras, Gonzaga.
“Vamos para as ruas gritar fora, Bolsonaro”, disse Fábio na ‘live’. Para ele, o presidente e seu ministro da economia, Paulo Guedes, são os principais causadores dos problemas nacionais.

Luta já
no começo

No início da transmissão, Daniel Gomes relembrou o começo da luta contra a ‘pec’, assim que foi encaminhada à câmara federal, em 3 de setembro do ano passado, no auge da pandemia.
O sindicalista recordou que o Sindest e os sindicatos de Guarujá, Praia Grande e São Vicente imediatamente lançaram campanha contra a proposta e visitaram câmaras municipais da região.
Recentemente, os sindicatos participaram de audiências legislativas públicas e, em 18 de agosto, promoveram um dia inteiro de atividades na região, lembrou Daniel.

Greve se
for preciso

Ele destacou o “firme posicionamento” do deputado federal Bozzella Júnior (PSL) contra a ‘pec’, por meio de nota, e falou sobre o convite da deputada Rosana Valle (PSB) de reunião com os sindicatos.
O encontro aconteceu na quarta-feira (25), no escritório da parlamentar, onde ela se mostrou sensível às ponderações sindicais, sem, no entanto, anunciar como votará em plenário.
“Temos que fazer de tudo contra a proposta bolsonarista, inclusive greve, se necessário, para que ela não prejudique os servidores nem a população que necessita dos serviços públicos”, disse Daniel.

Audiência
na câmara

Sobre o projeto de lei do instituto de previdência dos servidores santistas (Iprev), ele destacou a importância da categoria participar da audiência pública de hoje (4ª-feira).
Convocada pelas vereadoras Telma de Souza (PT) e Débora Camilo (Psol), com subscrição de Chico Nogueira (PT), a audiência, às 18 horas, será presencial e virtual.
Sua intenção é derrubar o regime de urgência na tramitação. Sobre isso, Daniel e Pedro da Matta foram recebidos pelo presidente da câmara, o radialista Adilson dos Santos Júnior (PP), na segunda-feira (30).

É contra
ou a favor?

Segundo os sindicalistas, o parlamentar mostrou-se sensível à reivindicação, mas não disse ser contra ou a favor. Comprometeu-se, porém, a conversar a respeito com Rogério Santos.
Daniel disse que o conselho fiscal do Iprev, do qual faz parte, recebeu o projeto “com desagrado”. Para ele, o regime de urgência impede o debate necessário que a matéria requer.
Pedro da Matta, que foi o segundo vice-presidente do conselho administrativo da história do instituto, também condenou a maneira como a medida foi encaminhada à câmara.

Tudo ótimo
há oito meses

“Antes, tudo passava primeiro pelos 11 conselheiros administrativos, sendo dois representantes de cada sindicato, um do legislativo e seis da prefeitura. Desta vez o conselho sequer foi consultado”.
Carlinhos Nobre também criticou o projeto. “Há oito meses, diziam que o Iprev era superavitário, que estava tudo às mil maravilhas. Então, por que isso agora, em regime de urgência?”.
O sindicalista disse que os servidores “precisam estar com os corações e as pernas em boa forma, para correr atrás dos seus direitos”. Ele abordou também outros assuntos na ‘live’.

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