Na foto, crianças em creche municipal que poderá ser privatizada ou terceirizada se ‘pec’ 32-2020 for aprovada

A ‘reforma administrativa’ do governo Bolsonaro, prevista na proposta de emenda constitucional (pec) 32-2020, prejudicará mais a população do que o funcionalismo público.
A afirmação é da presidente do sindicato dos servidores municipais de Itapira, Cristina Helena Silva Gomes. Ela participou da ‘live’ do Sindest, na noite de terça-feira (6), transmitida pelo Facebook e Youtube.
Sindest é o sindicato dos 12 mil servidores municipais estatutários e 4 mil aposentados de Santos, presidido por Fábio Marcelo Pimentel, que também participou do programa virtual ao vivo.
“A perda da sociedade, principalmente da população de baixa renda, que é majoritária no país, será muito pior que a nossa”, disse Cristina, com críticas contundentes ao presidente Jair Bolsonaro.

Pagar na creche e
no posto de saúde

“Quando a mãe trabalhadora tiver que pagar por uma vaga na creche e no posto de saúde, que serão entregues à iniciativa privada com a aprovação da reforma, aí ela sentirá o problema na pele”.
Cristina Gomes considera mais difícil a campanha dos sindicatos contra a ‘pec’ sensibilizar a opinião pública do que convencer os servidores a lutarem contra a medida.
Ela defende que os sindicalistas, além de discursar para as categorias que representam, devem também se dirigir aos moradores das cidades em que atuam, principalmente nos bairros populares.
A sindicalista contou que, mesmo sendo católica, foi a uma igreja evangélica de Itapira e pediu ao pastor autorização para falar aos fiéis sobre os malefícios da reforma administrativa.

Igreja do
deputado

O pastor disse-lhe que precisaria de autorização do deputado federal a que a igreja é vinculada e forneceu o número telefônico do parlamentar, cujo nome e partido ela não citou na ‘live’.
Cristina ligou para o deputado e disse que os fiéis gostariam de conhecer os efeitos da ‘reforma’ em suas comunidades. “O deputado disse que me daria um retorno, mas nunca mais me atendeu”.
Segundo ela, outro sindicalista perguntou ao deputado federal e presidente nacional do MDB, Baleia Rossi (SP), sua opinião sobre a ‘pec’. “E ele respondeu não conhecer o teor da medida!”.
A presidente do sindicato criticou severamente Bolsonaro e disse que “ele cairá em breve. Não podemos permitir que ele entregue o estado brasileiro ao capital selvagem internacional”.

Omissão do STF e
do congresso nacional

Ela não poupou o STF (supremo tribunal federal) e o congresso nacional. “Foram e são omissos. Por isso, chegamos a este ponto, com 14 milhões de desempregados e o povo de volta à miséria”.
Cristina atirou também na maioria dos prefeitos e vereadores. “Estão até gostando dessa reforma. Nas terceirizações e privatizações, terão um monte de cargos de confiança para distribuir”.
Ela fechou sua participação na ‘live’ dizendo que os sindicatos de todas as categorias devem incentivar seus representados a participarem dos protestos de rua. “Essa é a saída”.
O presidente do sindicato de Dois Córregos, José Wagner Luiz, também foi bastante crítico em relação a Jair Bolsonaro, mas não amenizou a responsabilidade da população.

‘Presidente maldito,
corrupto e de merda’

“O povo está dormindo e precisa acordar, lutar contra a situação em que esse maldito presidente de merda, corrupto, jogou o país. Não dá mais para aguentar passivamente seu desgoverno”.
O sindicalista acredita que “a situação caótica da economia, com o desemprego cada vez maior, levará muita gente à revolta, ao desespero e até ao roubo, tornando a vida insuportável”.
“Aliás, roubar já estão roubando, pois as terceirizações, privatizações e desnacionalizações são uma forma de roubo institucional dos recursos públicos e das riquezas do país”.
Wagner disse que “mentem muito sobre o funcionalismo para fazer propaganda da ‘pec’ 32”. Segundo ele, 80% dos servidores de Dois Córregos ganham de R$ 1.200 a R$ 1.300.

Prefeitos
culpados

“Como viver com esses salários miseráveis, quando um botijão de gás custa mais de R$ 100, quando tudo sobe com o aumento do preço dos combustíveis? Basta! Ninguém aguenta mais”.
O presidente do sindicato de Amparo, Cláudio José Onofre, também fez duras críticas a Bolsonaro, mas disse que o presidente não é o único culpado pelas mortes por covid-19 no país.
“Ele é o maior culpado, mas os prefeitos descapacitados para administrar as cidades também têm culpa e ainda chamam os servidores de vagabundos. São políticos canalhas, amparados pela bandidagem”.
A tesoureira do sindicato de São Vicente e coordenadora do movimento ‘Basta’ na região, Mara Valéria Giangiulio, criticou Bolsonaro, a reforma administrativa, a situação do país e os políticos em geral.

‘Quero viver para
ver Bolsonaro na prisão’

“Quero viver para presenciar a destituição desse presidente despreparado para governar o país, inclusive mentalmente. Quero viver para vê-lo na prisão”, disse a sindicalista.
“Chegamos a um ponto em que temos de defender os cidadãos dos deputados, quando, teoricamente, eles que deveriam lutar pelos interesses de seus eleitores, rejeitando mais esse golpe nos brasileiros”.
Mara lamentou “as crises em que se encontra o país. É crise econômica, crise hídrica, crise de pandemia, de desemprego. E o governo culpa os servidores por vários problemas que ele cria”.
Fábio Pimentel deixou os convidados à vontade e fez poucas intervenções na ‘live’. “Temos que combater Bolsonaro pelos desmandos gerais, especialmente pelo desmonte dos serviços públicos”.

‘Lives’
disponíveis

O presidente do Sindest acha que a situação está difícil para o governo e disse que espera sua queda antes da votação da ‘pec’ 32 pelo congresso nacional.
Segundo ele, um dos dois deputados federais da região, Bozzella Júnior (PSL), já se declarou contrário à ‘pec’. E a outra, Rosana Valle (PSB), “está balançando”.
Fábio disse que os três protestos de rua, em 29 de maio, 19 de junho e 3 de julho, desgastaram bastante o governo e estão sensibilizando os deputados para o risco de votaram a favor da ‘pec’ e não se reelegerem.
As ‘lives’ semanais do Sindest estão disponíveis na rede sua social e sempre têm ótima audiência do público interno, servidores, e do externo, população em geral.

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