Na foto, protesto de 29 de maio, na avenida Costa

O servidor, a estudante, a jornalista, o professor e os portuários que participaram da ‘live’ do Sindest na terça-feira (15) convocaram o povo para o protesto de sábado (19) contra o governo federal.
O servidor foi o presidente do sindicato dos 12 mil estatutários municipais e 4 mil aposentados da prefeitura de Santos (Sindest), Fábio Marcelo Pimentel. A ‘live’ foi transmitida pelo Facebook e Youtube.
O protesto será às 16 horas, diante da Estação Cidadania, na esquina das avenidas Ana Costa e Francisco Glicério, onde, em 29 de maio, se concentraram mais de 3 mil pessoas.

Pago e
inferior

“Vamos participar com a nossa bandeira específica contra a proposta de emenda constitucional (pec) 32-2020, da chamada ‘reforma administrativa’. Mas também com outras reivindicações”, disse Fábio.
Para o sindicalista, que classifica a reforma de ‘deforma’, o dever constitucional do Estado de garantir saúde, educação e segurança será revogado se a ‘pec’ for aprovada.
Fábio explica que a ‘subsidiariedade’ prevista na reforma deixará com o estado apenas os serviços que não interessarem à iniciativa privada. “E aí o povo pagará por serviços inferiores aos que hoje são gratuitos”.

Estudantes
na história

A presidente do CES (centro dos estudantes de Santos), Aline Cabral, classificou o Sindest de ‘sindicato parceiro’ e previu que o ato de sábado será muito maior que o de 29 de maio.
A estudante recordou que os brasileiros não iam a protestos de rua desde 2019 porque a pandemia, em 2020, amedrontou as pessoas receosas de contrair o novo coronavírus.
“Mas cansados de ver bolsonaristas nas ruas sem qualquer cuidado com o aumento da pandemia, resolvemos, com máscaras, álcool-gel e distanciamento, protestar contra o desgoverno”, disse Aline.
“Nossa revolta explodiu em 29 de maio, no Brasil inteiro, e agora, no dia 19, será bem maior, com toda certeza. Nós, estudantes, representamos injeção de esperança nas pessoas”, ponderou a jovem.
“Os estudantes sempre participaram dos grandes momentos da história e agora não seria diferente. Continuamos as lutas das gerações que nos antecederam com seus sonhos e esperanças”, finalizou Aline.

Dória é
bolsonarismo

A coordenadora regional do sindicato estadual dos jornalistas, Solange Santana, disse que a categoria, por divulgar os atos condenáveis do governo Bolsonaro, é um dos seus principais alvos.
“A fome, miséria, violência do estado policial, ataques à soberania nacional, privatização de estatais, tudo isso e muito mais estão entre os problemas causados pelo governo”, disse a sindicalista.
Solange ressaltou, porém, que a política destrutiva do estado e da sociedade não é exclusiva de Bolsonaro. E disse que o governador João Dória (PSDB) defende o mesmo projeto em nível estadual.
Segundo ela, o governo estadual demitiu, por telegrama e Whatsapp, 150 jornalistas e gráficos da imprensa oficial, “em plena pandemia, descartados como se não valessem nada”.
“Quando falamos ‘fora, Bolsonaro’, está embutido, nessa palavra de ordem contra o verme assassino, todo um projeto de governo aplicado em níveis federal, estadual e municipal”, disse a jornalista.
Solange lembrou que, também em Santos, os seguidos prefeitos do PSDB “se encaixam na concepção bolsonarista de governo. Basta ver a proliferação de organizações sociais onde os servidores são descartados”.

Frente
ampla

O presidente do PCdoB de Santos, Thiago Andrade, declarou-se indignado com as mortes causadas pela covid-19 por falta de vacinas e culpou Bolsonaro pela situação.
Lamentou “o alto índice de desemprego, a extrema pobreza, gente morando nas ruas, o patrimônio natural queimando nas florestas, tudo a mando do capital financeiro internacional”.
Para Thiago, o governo Bolsonaro “é neofascista, mentiroso, autor de ‘fake news’ espalhadas nos baixos escalões das forças de segurança, entre médios e pequenos empresários e população carente”.
Esses segmentos são os principais alvos do bolsonarismo e cabe às forças democráticas neutralizar sua atuação para garantir a eleição de 2022 e a posse do governo popular eleito, defendeu o dirigente do PCdoB.
Para isso, Thiago defendeu a organização de uma frente ampla com todos os setores contrários ao governo, inclusive com a direita não bolsonarista.

Contra o
teto de gastos

O professor Carlos Riesco, coordenador da CUT (central única dos trabalhadores) na região, disse que Bolsonaro representa uma elite egoísta que se apropria do estado para enriquecer.
Essa elite, segundo o sindicalista do professorado estadual, não tem capital próprio e está sempre trabalhando contra a democracia popular, como fez nos golpes de 1964 e 2016.
Riesco defende que os protestos de rua iniciados em 29 de maio prossigam cada vez mais intensos, até derrubar os golpistas que impuseram ao país um teto de gastos públicos que penaliza a população.

Bolsonaro
é aberração

Claudiomiro Machado ‘Miro’, presidente do sindicato dos operários portuários (Sintraport), filiado à central força sindical (FS), também convocou a população para o protesto de sábado.
“Temos que tirar o louco Bolsonaro do poder, independente de sermos de esquerda, direita ou centro. Sou a favor que seja em 2022, pelo voto democrático. Mas temos que protestar contra ele desde já”, disse.
Miro falou sobre a campanha pela vacinação dos portuários e disse que ela surtiu efeito justamente por mobilizar diferentes setores da sociedade, prioritariamente os trabalhadores.
“Bolsonaro é uma aberração”, disse o sindicalista. “Infelizmente, mesmo os arrependidos de terem votado nele ainda relutam em reconhecer o erro. Por isso, tem certa popularidade. Mas derrubaremos”.

Frente
popular

O presidente do Settaport e vereador Chico do Setta (PT) lembrou que Bolsonaro foi eleito com ajuda da mídia que criminalizava o partido dos trabalhadores para fortalecer o neoliberalismo.
Ele acha que Bolsonaro deve ser confrontado por uma frente de esquerda e não por uma frente ampla que envolva setores da direita que trabalharam pelo ‘impeachment’ de Dilma Rousseff (PT).
“Se nos juntarmos a essa gente, correremos o risco de tomar outro golpe mais à frente. Devemos, portanto, ter como base as forças populares para um governo popular”, disse Chico.
O vereador lembrou que, na sexta-feira da próxima semana (25), a câmara federal fará audiência publica sobre a ‘pec’ 32-2020, a pedido do Sindest e do movimento ‘Basta’, que luta contra a reforma administrativa.

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