Na foto, o secretário municipal de saúde, que participou de ‘live’ do Sindest na terça-feira

Um fato inédito ocorre hoje na história da saúde pública em Santos: pacientes vinculados a convênios médicos são internados em leitos do sistema único de saúde (sus).
E não há como a secretaria de saúde recusar essas pessoas na rede pública. “Vamos deixar morrer?”, pergunta o secretário municipal da pasta, Adriano Catapreta.
Ele participou da ‘live’ do sindicato dos servidores estatuários (Sindest), no Youtube e Facebook, das 18 às 18h40 desta terça-feira (23), quando foi sabatinado por diretores e associados.
Segundo o secretário, há 15 dias, a taxa de ocupação dos leitos de ‘uti’ era de 44%. Hoje, é de 82%. Apesar dos hospitais privados terem aberto 30 leitos nesta semana, sua taxa é de 100%.
Quando viu o índice de mortalidade alto na cidade, Catapreta procurou os infectologistas Evaldo Stanislau (Affonso de Araújo) e Marcos (Montani) Caseiro, além de um médico de cada hospital público e privado.

Jovens
morrem

Foi então que, baseados em experiências de outras regiões paulistas e cidades do mundo, recomendaram aos prefeitos da baixada santista e litoral o ‘lockdown’ (bloqueio total ou confinamento).
Catapreta revelou que, em março de 2020, a cidade possuía 96 leitos de ‘uti e hoje tem 280. Nos próximos dias, serão abertos mais 40. Essa elevação deve-se ao agravamento da pandemia.
O secretário falou sobre a maior virulência e agressividade do novo coronavírus hoje em relação ao ano passado. “Antes, atingia as pessoas acima de 60 anos. Hoje, jovens estão morrendo”.
Segundo ele, os hospitais particulares estão sem medicamentos e bloqueadores neuromusculares que ajudam na respiração e no relaxamento da musculatura.

Desgaste físico,
emocional e cansaço

O secretário ponderou que muitos criticam o ‘lockdown’ por prejudicar a economia. “Temos consciência disso, mas agora o momento é de urgência com vidas humanas”.
“Precisamos da consciência de cada um para ajudar no combate à pandemia, que tem inclusive gigantesco impacto e desgaste nos servidores, principalmente os da saúde”.
Ele agradeceu a cada trabalhador da área e destacou o desgaste físico e emocional de todos. “O que vemos são profissionais ansiosos, chorando, desgastados, cansados, mas sempre no atendimento”.
Catapreta lembrou que, no começo da pandemia, o povo fez um ‘lockdown’ sem necessidade de decreto, com ruas e avenidas totalmente desertas. “E hoje precisamos da ajuda da população”.
O problema, lembrou o secretário, não é apenas de Santos e da região. É de São Paulo, dos demais estados, do país e do mundo. Segundo ele, a falta de insumos é generalizada.

Decisão
acertada

Sobre vacinação, ele explicou que a cidade tem 29 postos de aplicação, incluídas as policlínicas. “Num único dia da semana passada, vacinamos 8.130 pessoas”.
A primeira dose já foi aplicada em 64,9 mil pessoas, ou 15,1% da população, enquanto a média nacional é de quatro a cinco por cento. Ele alerta para a necessidade das pessoas procurarem pela segunda dose.
“Queremos vacinar todos os servidores, inclusive os professores, mas infelizmente é o governo estadual que fornece a vacinas e determina em que grupos elas devem ser aplicadas”.
O presidente do sindicato, Fábio Marcelo Pimentel, participou da ‘live’ e considerou “acertadíssima a decisão dos prefeitos de decretarem o ‘lockdown’ na região”.

Morte não tem
cura, falência sim

“Nosso sindicato tem responsabilidade social”, disse o sindicalista. “Perdemos colegas de trabalho e temos que enfrentar a doença com bom senso e respeito aos que tombaram”.
Fábio ponderou que “falências têm cura, mas a morte não. Ela é irreversível”. Disse isso referindo-se aos reflexos negativos do ‘lockdown’ na economia.
O diretor de comunicação do sindicato, Daniel Gomes Araújo, homenageou os servidores mortos e lembrou que o sindicato colocou-se contra o reinício presencial das aulas.
O diretor Carlos Alberto Reis Nobre ‘Carlinhos’ enalteceu a necessidade de vacinação dos servidores que combatem a pandemia e de outros profissionais, inclusive estivadores.
O secretário-geral do sindicato, Donizete Fabiano Ribeiro, reclamou ao secretário da demora nos resultados de exames de covid-19 feitos pelos servidores suspeitos de contaminação.

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