Na foto, vereadora Telma de Souza, que propôs ‘cev’ em defesa da rede de atenção psicossocial

Diretores do sindicato dos servidores estatutários municipais de Santos (Sindest) estiveram no centro de atenção psicossocial (caps) da Ponta da Praia, na quarta-feira (10), e ficaram decepcionados.
O que Carlos Alberto Reis Nobre ‘Carlinhos’ e Lenina Bento da Silva constataram no prédio da avenida Coronel Joaquim Montenegro (canal 6), 329, foi abandono, descaso e destruição.
Logo de cara, viram as portas de entrada da unidade e da sala administrativa destruídas. No banheiro da administração, verificaram a pia solta e o chuveiro que não funciona, ambos sem água.
A sala de medicação está tomada pela umidade e mofo, por causa de infiltrações de água. As portas de vidro no salão dos fundos, por sua vez, estão sem chaves e sem travas de segurança.
O prédio não tem extintores de incêndio, há fiação elétrica exposta e a falta de tomadas prejudica a utilização do equipamento, segundo o diretor de assuntos profissionais e a segunda vice-presidente do Sindest.
Carlinhos e Lenina viram que não há funcionários para preparar as refeições e lanches, assim como nutricionistas. Lençóis, travesseiros, fronhas e toalhas, nem pensar.

Degradação
dos equipamentos

Eles entraram em contato com o setor competente na prefeitura e ouviram que tudo estará resolvido dentro de 30 dias. Após esse prazo, eles voltarão ao local para conferir.
Para o presidente do Sindest, Fábio Marcelo Pimentel, “está em andamento um processo de degradação dos equipamentos de saúde mental para sua posterior privatização”.
“É nisso que estão transformando nossa cidade e o Brasil inteiro, serviços públicos terceirizados para altos ganhos de organizações sociais que de filantrópicas nada têm”, diz o sindicalista.
O desmonte da política de saúde mental e a terceirização do serviço são tão evidentes que a vereadora Telma de Souza (PT) propôs a instauração de uma comissão especial de vereadores (cev) sobre o assunto.
O requerimento solicitando a criação da ‘cev’ foi apresentado na sessão de 4 de fevereiro e encaminhado para análise da comissão parlamentar de constituição e justiça.
A medida, segundo Telma, atende reivindicação da frente de luta antimanicomial da baixada santista. “O pioneirismo do município na história da reforma psiquiátrica no Brasil fortalece o pleito”, diz ela

Lucro e
ganância

A vereadora preside da comissão parlamentar de saúde e acredita que “privatizar ou terceirizar o atendimento mental é um retrocesso. Os servidores públicos são essenciais nesse tipo de atendimento”.
“Eles mantêm vínculos com os usuários e seus familiares. Tratam as pessoas de forma humanizada. Temos que lutar em defesa da saúde pública garantida pela constituição federal”, diz a ex-prefeita de Santos.
Segundo ela, as denúncias de familiares das pessoas atendidas sobre a precariedade na infraestrutura dos equipamentos públicos, a defasagem nas equipes multiprofissionais e a falta de medicamentos são constantes.
Telma ressalta que “Santos precisa retomar seu protagonismo e sinalizar que é possível impedir o desmonte de conquistas históricas, como saúde mental e o Samu”
“Por isso, questionei o executivo se há algum plano para terceirizar o serviço, o que seria uma medida perigosa. Saúde mental não pode ser objeto de ganância nem de lucro”, diz a parlamentar.

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