Sindicato dos servidores estatutários protocolou ofício, sexta-feira, na
prefeitura, mas quer envolver câmara e conselhos tutelares na luta. Na foto,
Fábio Pimentel, presidente do Sindest

A prefeitura de Santos quer substituir professores especializados na inclusão de crianças com deficiência na rede pública de educação por terceirizados com formação apenas de ensino médio.
Para isso, a secretária municipal de educação, Cristina Abreu da Rocha Barletta, publicou portaria, no diário oficial de segunda-feira (30), chamando organizações da sociedade civil (oscs) para atuarem na tarefa.
Na tarde de sexta-feira (4), o secretário-geral do sindicato dos servidores estatutários (Sindest), Donizete Fabiano Ribeiro, protocolou ofício, na secretaria de educação, requerendo a revogação da portaria.
À noite, o presidente da entidade, Fábio Marcelo Pimentel, abordou o assunto em ‘live’ com Donizete e outros três diretores da área educacional: Daniel Gomes Araújo, Lenina Bento da Silva e Elaine Cristina Rodrigues.
Na quinta-feira (3), o Sindest divulgou nota anunciando a ‘live’ e condenando a portaria, dizendo tratar-se de um “escândalo administrativo, educacional e de saúde”.

Ampliar
a campanha

Nesta segunda-feira (7), a direção sindical oficiará à câmara municipal, aos conselhos tutelares e outros segmentos sociais, propondo que apoiem a luta pela revogação da portaria.
Durante a ‘live’, Donizete lamentou que a câmara não tenha interferido\ para impedir a publicação da portaria que, segundo ele, “trouxe tanta insegurança aos professores neste final de ano”.
Ele citou os vereadores Audrey Kleys (PP) e Fabrício Cardoso (Podemos), criticando-os por “apenas lamentarem a medida em ‘lives’, mas sem tomar nenhuma iniciativa concreta contra ela”.
A diretora Lenina foi mais incisiva e disse que a maioria dos vereadores sempre apoia as iniciativas do prefeito e seus secretários, ainda que em prejuízo do funcionalismo.
Os sindicalistas reclamaram bastante porque a prefeitura não debateu o assunto com os pais de alunos, os professores, o sindicato, o legislativo e
demais interessados.

Afeto
e amor

Professor e diretor de comunicação do sindicato, Daniel Gomes criticou o PSDB, partido do atual prefeito, Paulo Alexandre Barbosa, e do eleito, Rogério Santos, por “promover o desmonte do serviço público”.
“Essa política foi intensificada na metade da década de 1990, pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, do PSDB, e hoje volta com força total, inclusive nas prefeituras comandadas por esse partido”, disse.
Sobre a portaria, Daniel ressaltou que os professores “estudaram muito, com investimentos da prefeitura na sua qualificação, e não tem cabimento agora jogar tudo isso fora”.
A diretora Elaine ressaltou a relação afetiva dos professores que a prefeitura quer substituir, também conhecidos por mediadores, lamentando que os alunos sentiriam muito a mudança.
“Os colegas trabalham há anos com essas crianças e o vínculo amoroso entre eles é tamanho que chegam ao ponto de se comunicar apenas com olhares e expressões faciais”, disse a sindicalista.

Cognitivo
psicológico

Lenina, por sua vez, salientou que os profissionais trabalham na questão cognitiva, psicológica e educacional, com qualidade de vida. “Não estão ali apenas para limpar as crianças, como fariam os terceirizados”.
O trabalho é feito por 454 professores concursados, cerca de dez por cento do efetivo da prefeitura, todos de carreira. A mediação é reforçada por sete estagiários e 42 profissionais voluntários.
A atividade ocorre por meio de projeto, ou seja, o profissional dá aula apenas num período, reservando o restante da jornada para prepará-la com o cuidado que as crianças especiais requerem.
O presidente do Sindest pondera que, além de retirar um ganho dos professores com a diminuição de horas extras, a proposta do prefeito prejudica principalmente as crianças.
O edital prevê a contratação da organização social no próximo ano letivo por R$ 9,4 milhões, com validade de 12 meses, podendo ser prorrogada por até cinco anos.
O resultado da consulta publicada no diário oficial será divulgado em 17 de dezembro e a contratação ocorrerá em quatro blocos de escolas. Se necessário, diz a publicação, o valor poderá ser suplementado.

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