Em ‘live’ do Sindest, nesta sexta-feira, presidentes de três sindicatos falaram sobre desacato ao funcionalismo e outros assuntos. Nas fotos, Fábio Pimentel, Adriano ‘Pixoxó’ e Zoel Siqueira

Ao invés de medalhas em gabinete de prefeito, o funcionalismo público precisa de valorização salarial, reconhecimento profissional e melhores condições de trabalho.
É o que pensam os presidentes dos sindicatos dos servidores municipais de Santos, Guarujá e Praia Grande, Fábio Marcelo Pimentel, Zoel Garcia Siqueira e Adriano Roberto Lopes da Silva ‘Pixoxó’.
Eles participaram de ‘live’ do sindicato de Santos (Sindest) no Facebook, sexta-feira (24) à noite, sobre o tema ‘desacato ao servidor púbico e suas consequências’.
As medalhas a que se referem foram entregues pelo prefeito santista, Paulo Alexandre Barbosa (PSDB), na segunda-feira (20), aos guardas municipais Cícero Hilário e Roberto Guilhermino.
Os dois foram desacatados pelo desembargador do TJSP (tribunal de justiça de São Paulo) Eduardo Almeida Prado Siqueira, no sábado anterior (18), que andava na praia sem máscara contra coronavírus.

Petição
de miséria

“Beleza o prefeito homenageá-los”, diz Fábio Pimentel, “mas com certeza eles prefeririam que a corporação toda fosse reconhecida com bons salários e condições de trabalho”.
Segundo o sindicalista, a secretaria municipal de segurança fica num prédio antigo e mal equipado. E as coordenadorias da guarda “estão em petição de miséria”.
Fábio reclama também que os salários da categoria são defasados em relação a várias cidades e que muitos profissionais trabalham com coletes vencidos à prova de balas.

Perder a
estribeira

Adriano Pixoxó, guarda municipal há 19 anos em Praia Grande, diz que a atividade “é muitas vezes ingrata, exigindo bastante equilíbrio emocional para não se perder a estribeira diante de injustiças”.
Ele relata que os guardas lotados em postos de saúde “sofrem ao ver colegas servidores agredidos moralmente por pessoas que chegam nervosas, em busca de atendimento”.
“Se falta remédio, o cidadão desconta no médico, no enfermeiro ou no auxiliar de enfermagem. Às vezes, o sujeito chega ‘cheio de guaraná’ e manda palavras de baixo calão em cima dos servidores”, diz Pixoxó.

Ultraliberalismo
e ‘estado mínimo’

Zoel acha que “muito do que acontece de mal com o funcionalismo decorre de governos ultraliberais que defendem o ‘estado mínimo’ e as privatizações, sem preocupação com a qualidade do serviço”.
Para ele, a atitude do desembargador Siqueira “visou mostrar exatamente isso. O recado que ele quis passar, rasgando a multa por andar sem máscara, é o de que o estado não serve para nada”.
Zoel cita também o fato da mulher que, no Rio de Janeiro, falou ao guarda que o marido dela não é um cidadão , mas sim um engenheiro, “também na mesma linha de desmerecimento do servidor”.

Demonização
do funcionalismo

O secretário-geral do Sindest, Donizete Fabiano Ribeiro, que participou da ‘live’, lembrou de uma agressão violenta a profissionais de saúde em uma unidade da zona noroeste.
“A demonização do servidor agora vem do governo federal e do ministro da economia, Paulo Guedes”, disse Donizete. A ‘live’ foi mediada por Willian Ribeiro.

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