Caos na unidade de atendimento social da prefeitura na Rua Manoel Tourinho, 352, bairro Macuco

Imagine tuberculosos drogados urinando e defecando no mesmo ambiente em que se encontram um recém-nascido e sua mãe, ambos susceptíveis a contrair a doença.
Isso acontece no lar-abrigo da prefeitura de Santos na Rua Manoel Tourinho, 352, Macuco. “Isso e muito mais”, denuncia o presidente do sindicato dos servidores estatutários (Sindest), Fábio Marcelo Pimentel.
Nesta quarta-feira (2), o sindicalista enviou ofício ao prefeito Paulo Alexandre Barbosa (PSDB), relatando vários problemas dessa e de outras quatro unidades com o mesmo nome, ‘lar-abrigo’.
Nesses locais ficam pessoas com doenças graves como ‘aids’ e problemas mentais, mesmo não sendo lá um serviço de saúde, mas sim de assistência social e ação comunitária.
O local, explica Fábio, não tem nenhuma estrutura de segurança, com guarda municipal, e nem mesmo câmeras de monitoramento, embora seja grande a incidência de pessoas drogadas e perigosas.
Segundo ele, os servidores operadores sociais têm preocupação e medo ao retirar facas de alojados que podem se agredir mutuamente e também ferir os funcionários lotados no prédio e os assistidos.

Além de
armas, drogas

Os profissionais, explica o sindicalista ao prefeito, correm ainda sério risco ao ter que retirar drogas dos pacientes, exercendo função policial para as quais não são habilitados e muito menos remunerados.
Sem curso e conhecimento médico ou de enfermagem, os operadores ministram medicamentos, recolhem urina e fezes para exames, praticam atividades alheias à função e podem ser processados por isso.
“A total precarização torna o ambiente um pandemônio, com pessoas de incontinência urinária e fecal andando de um lado para o outro, sujando e empesteando tudo”, relata o ofício.
Não bastasse, faltam pessoal e material de limpeza. Apenas dois funcionários estão escalados para a faxina, mas um deles não exerce a tarefa por restrição de sobrepeso.
“E o que dizer da higienização de roupas?”, questiona Fábio. “Muitos urinam e evacuam nas vestes, que acabam jogadas na máquina de lavar roupas de uso comum. Apenas um funcionário cuida disso”.
Para preparar as refeições, segundo ele, não há ninguém. O mesmo servidor que cuida da lavanderia cuida da comida. E o operador social é obrigado a fazer faxina.

Sem
cumplicidade

As irregularidades foram primeiro oficializadas pelo Sindest ao secretário municipal de desenvolvimento social, Carlos Roberto Ferreira Mota, por meio de protocolo, na segunda-feira (30).
Como ele sequer telefonou para o sindicalista, Fábio enviou então ofício ao prefeito e ao secretário de gestão do município, Carlos Teixeira Filho ‘Cacá’, requerendo reunião sobre o assunto.
Parte das irregularidades e ilegalidades, segundo o presidente do Sindest, pode ser solucionada com a locação de pessoal de enfermagem, limpeza e lavanderia, assistentes sociais, psicólogos e cozinheiras.
“A competência do operador social é atender as pessoas, sejam moradores de rua ou gente sem família, e ajudá-las a tirar documentos, encaminhar para consultas e tarefas do gênero”, explica o sindicalista.
“O governo não pode mais sobrecarregar quem já faz além do que lhe compete. O controle de medicações psiquiátricas, os afazeres de merendeira, o preparar e servir refeições, tudo isso precisa acabar”, diz ele.
Os operadores foram concursados para um determinado cargo e não podem suprir a falta de outros profissionais, principalmente nos finais de semana e feriados, pondera o ofício.

Legislação
desrespeitada

O atual quadro deixa os usuários que mais demandam atenção em condições totalmente adversas ao que prevê a legislação. E os operadores não podem ser cúmplices disso, relata Fábio.
“Os abrigos têm se tornado uma espécie de depósito de pessoas carentes, como se elas só existissem para levantar, comer e dormir, mesmo assim em condições precárias”.
Mais do que tirá-las da rua ou congêneres, é preciso cuidar, ter um novo olhar sobre elas, cristão, e não apenas ‘marketing’. Mais que números, os operadores cuidam de pessoas.
A legislação fala em um cuidador para cada seis usuários. Em tese, são precisos pelo menos seis cuidadores por plantão, além do auxiliar, que infelizmente só existe na teoria.
A realidade é bem distante do ideal. Os números de operadores por plantão são estes: madrugada, três, sendo que um está de licença médica. Manhã, quatro, estando um licenciado. Tarde, três. Noite, quatro.

Siga e Compartilhe
error0

Sem Comentários

Você pode postar primeiro comentário resposta.

Deixe Um Comentário

Por favor, insira seu nome. Digite um endereço de e-mail válido. Digite uma mensagem.