Na foto, caixa de pecúlio dos servidores, que deve R$ 18 milhões na praça da
baixada e litoral

A caixa de assistência ao servidor público municipal de Santos (Capep)
sobreviveu a duas guerras mundiais, a duas ditaduras e a vários planos
econômicos nocivos aos brasileiros.
Mas o prefeito Paulo Alexandre Barbosa (PSDB) está acabando com a autarquia,
fundada em 31 de maio de 1911 e que hoje deve R$ 18 milhões a hospitais e
clínicas conveniadas.
A avaliação é do presidente do sindicato dos servidores estatutários
municipais (Sindest), Fábio Marcelo Pimentel, que tem recebido centenas de
reclamações de mutuários não atendidos na rede de saúde.
“O culpado é o prefeito”, diz o sindicalista. “Onde está o dinheiro da
Capep, inclusive a parte descontada mensalmente dos salários de 11 mil
servidores? Como explicar isso?”.
Segundo ele, a prefeitura deve R$ 7 milhões à Capep. Só neste mês de
outubro, o executivo deixou de repassar R$ 3 milhões à autarquia. “Cadê a
justiça deste país? Isso é apropriação indébita”, diz Fábio.

Tratamento oncológico
e hemodiálise suspensos
Na quarta-feira (24), o diretor do sindicato e conselheiro administrativo da
Capep, Josias Aparecido da Silva, recebeu uma senhora não atendida no
hospital Frei Galvão de São Vicente.
Segundo ele, a administração mostrou à servidora uma fatura não paga pela
Capep de R$ 598 mil. Precisando de atendimento de urgência, ela procurou a
Santa Casa de Santos, mas não foi atendida.
Diante disso, Josias foi à Santa Casa, onde lhe disseram que o atendimento
está normalizado. “Como assim, normalizado?”. O mesmo acontece com quem mora
na Praia Grande e Guarujá.
Segundo o sindicalista, todas as cirurgias eletivas, previamente agendadas,
de catarata, coluna, joelho, tornozelo, deformação de mãos e outras não
serão feitas pelo menos em 2018.
Fábio e Josias classificam o presidente da Capep, Eustázio Alves Pereira, de
irresponsável. E reclamam que ele some, de férias ou licença, em todos os
momentos críticos.
A Capep abrange 13 mil servidores da ativa, aposentados e seus dependentes,
aproximadamente 26 mil vidas, que ficam paulatinamente sem atendimento à
saúde.
Até tratamentos oncológicos e hemodiálises estão suspensos. “Por incrível
que pareça, a Capep sequer cobrou oficialmente a prefeitura pela dívida de
R$ 7 milhões”, finaliza Fábio.

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