Na foto, o ‘naps’ da Avenida Rodrigues Alves, 236, no bairro Macuco

O atendimento psiquiátrico da prefeitura de Santos nos núcleos de
atendimento psicossociais (naps) “é uma loucura, um caos, um perigo, onde
impera o desrespeito aos profissionais e aos pacientes”.
O alerta é do presidente do sindicato dos servidores estatutários municipais
(Sindest), Fábio Marcelo Pimentel, que já levou o problema algumas vezes ao
secretário de saúde, Fábio Alexandre Fernandes Ferraz.
“Não podemos mais aceitar que o pessoal de enfermagem, assistentes sociais,
psiquiatras, psicólogos, terapeutas e outros servidores se exponham a tantos
riscos”, diz o sindicalista.
“Não se sabe como, até agora, ainda não aconteceu uma desgraça”, pondera
Fábio. “Se bem que o suicídio de uma jovem no naps da Rua Campos Melo, 298,
Macuco, no primeiro semestre, foi uma lástima”.
O presidente do Sindest reclama que os profissionais trabalham “sem qualquer
segurança ou garantia de integridade física. O pessoal vive com medo.
Ninguém tem sossego”.
“Apesar do pessoal ter estudado e sido treinado para lidar com os
contratempos ao lidar com surtados, drogados, miseráveis e revoltadas
vítimas da injustiça social no país, o perigo existe”, diz Fábio.

O perigo de
instrumentos cortantes
Para o diretor do sindicato Josias Aparecido da Silva, o atendimento a
pacientes agitados, com instrumentos perfurocortantes, “não é tranquilo em
hipótese alguma”.
Segundo ele, os doentes têm acesso a agulhas, lâminas, pinças, seringas e
vidros. “O atendimento contraria todas as normas de segurança e é totalmente
irregular”.
Josias explica que os pacientes recebem remédios fortes, sem supervisão de
enfermeiro, o que é proibido pelo Cofen (conselho federal de enfermagem).
Ele denuncia que os técnicos e auxiliares de enfermagem trabalham sem
supervisão do enfermeiro, à noite, nos finais de semana e feriados. Pior,
sem presença do médico para acompanhamento e avaliação.
O sindicalista lembra que, há seis meses, houve reunião da comissão de saúde
mental do conselho municipal de saúde com o sindicato, Cofen e o secretário
de saúde.
Josias lembra que alertou o coordenador de saúde mental sobre esses e outros
riscos nas unidades, mas reclama que ninguém tomou providência.

Sindicato irá ao
ministério público
No naps 2, explica, o preparo da medicação é feito no corredor de passagem
de pacientes. Os médicos anotam em papeletas prescrições em caso de
necessidade.
Os técnicos de enfermagem, porém, não têm condições de avaliar nem autorizar
a aplicação do medicamento e o Cofen alerta para o exercício ilegal da
medicina.
Fábio e Josias levarão o problema, semana que vem, ao ministério público
estadual. “Tentamos resolver o problema administrativamente, mas não
conseguimos”, finaliza o presidente do Sindest.

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