Às 14 horas desta quarta-feira, manifestação começará na praça Mauá e irá ao gabinete do prefeito. Na foto, de 2015, um retrato do abandono que perdura até hoje

Imagine um hospital público onde um paciente esfaqueia outro na porta do centro cirúrgico e um morador de rua vagueia pelos corredores, acompanhado de seu cachorro, procurando um lugar para dormir.
Pense num atendimento público à saúde onde as acomodações para remédios e documentos são improvisadas e onde todas as portas ficam abertas, sem qualquer controle de entrada e saída de pessoas.
Mentalize um local assim policiado por apenas um guarda municipal, responsável por dois outros prédios de saúde nas imediações. Esse é o hospital Arthur Domingues Pinto, na zona noroeste de Santos.

Enfermeira
espancada
Na sexta-feira retrasada (10), por volta das 16 horas, nessa unidade municipal de saúde, a enfermeira Maria Lúcia de Lima foi agredida de forma covarde e violenta por parentes de um paciente.
“Aquilo é uma zona”, desabafa o presidente do sindicato dos servidores municipais estatutários de Santos (Sindest), Fábio Marcelo Pimentel. “Por que vários familiares de um único paciente no local?”.
“De que adianta a comissão de controle de infecção hospitalar (ccih) fiscalizar normas regulamentadoras, se lá entram animais?”, pergunta o diretor jurídico do sindicato, Josias Aparecido Pereira da Silva.

Protesto
na praça
Os dois sindicalistas convidam a imprensa e a população para o ato público que farão, a partir das 14 horas desta quarta-feira (22), na praça Mauá, diante do paço, com presença de profissionais do hospital.
“Vamos contar tudo que é aberração no atendimento à saúde do povo naquele e em outros equipamentos de saúde da cidade”, anuncia Pimentel. Dali, o grupo irá ao gabinete do prefeito Paulo Alexandre Barbosa (PSDB).
“Essa dos moradores de rua entrarem com animais no hospital é o fim da picada”, diz Josias. O sindicalista questiona a segurança biológica contra infecções e alerta para o risco que corre a população.

Precarização
proposital
Para o diretor de imprensa do Sindest, Rogério Catarino, a precarização da segurança e o abandono dos equipamentos “é proposital, para um projeto maligno de terceirização”.
“A administração quer jogar o hospital e o pronto-socorro nas mãos das chamadas organizações sociais (oss), essas entidades com cara de filantrópicas, mas que buscam apenas o lucro”, diz o sindicalista.

Tragédia
anunciada
“Tomara que não ocorra uma tragédia anunciada”, adverte Pimentel, “como alguém assassinado lá dentro”. Josias lembra uns episódios ocorridos num baile funk na praça em frente.
“Quando chovia, o baile simplesmente continuava dentro do hospital, onde as pessoas, embriagadas e muitas drogadas, agrediam e roubavam os servidores e também pacientes”, recorda o sindicalista.
Segundo Josias a enfermeira Maria Lúcia foi surrada por duas mulheres, agarrada pelos cabelos, jogada ao chão e chutada no abdômen, peito e fortemente na cabeça.
“Foi um ato covarde”, diz o sindicalista, “sem que houvesse por ali um guarda municipal sequer para conter as agressoras, socorrer a colega e tomar outras providências”.
A enfermeira registrou a ocorrência na delegacia da mulher, para onde foi por seus próprios meios, e diz que ficou “bastante traumatizada com o episódio”.
“Até quando continuaremos sendo agredidas?”, perguntou uma colega, que não se identifica com receio de represálias. “Qualquer dia, sairei daqui morta ou presa. Vou morrer ou matar”.

Violência
frequente
Os casos de ameaças e de violência no hospital são frequentes, segundo Pimentel. “O problema já foi denunciado várias vezes, sem que ninguém tome providências”.
“Os casos vão ficando cada vez piores e absurdos”, diz o sindicalista. “Vamos agir. O hospital da zona noroeste sempre foi o início das grandes lutas por melhores condições de trabalho”.
Fábio explica que já virou rotina assaltarem médicos e outros servidores dentro da unidade, à mão armada: “Turmas de vândalos circulam no ambiente e arrombam armários”.
O presidente diz que os problemas já foram levados, em forma de relatório, ao secretário de saúde, ao chefe do hospital e à coordenadora, que nunca tomaram providências.
“A coordenadora é uma ausente. Larga os profissionais abandonados, Toda vez que vamos reclamar, ela fala que os subalternos atrapalham. É um local sem comando e sem segurança”, reclama Josias.
Segundo ele, a enfermeira agredida nem era responsável pelo atendimento, pois trabalha na pediatria: “Ela apenas buscou informações solicitadas pelas mulheres, sem saber que seria por elas agredida”.

Processo
judicial
Josias adianta que o Sindest processará os agressores e a prefeitura, por falta de estrutura no atendimento à saúde pública, de respeito com os profissionais e de segurança.
Segundo ele, mesmo que houvesse um guarda municipal no local, “não há sistema de segurança. No sábado (11) à noite, um morador de rua entrou no hospital e queria um lugar para dormir”.
Até o momento da manifestação diante da sala do prefeito, os servidores lotados no hospital trabalharão com alguma peça de roupa preta, em protesto contra a falta de segurança.
Uma técnica de mobilização ortopédica, Sônia Regina, também foi agredida, quando tentava apaziguar a situação. A secretaria municipal de saúde anuncia reforço da segurança no local.

Sindicato dos Servidores Estatutários Municipais de Santos (Sindest, filiado à Fupesp e NCST).
Rua Monsenhor de Paula Rodrigues, 73, Vila Mathias, Santos, 13-3202-0880, contato@sindest.com.br , www.sindest.com.br .
Presidente: Fábio Marcelo Pimentel. Diretor de imprensa: Rogério Catarino.
Redação: Paulo Passos MTb 12.646, matrícula sindical 7588 SJSP.

 

Siga e Compartilhe
error0

Sem Comentários

Você pode postar primeiro comentário resposta.

Deixe Um Comentário

Por favor, insira seu nome. Digite um endereço de e-mail válido. Digite uma mensagem.