Na foto, diretores do Sindest reunidos com servidores municipais no
cemitério da Filosofia, no bairro Saboó. No destaque, Jeir

O coveiro do cemitério Areia Branca, em Santos, Jeir Santabárbara de
Almeida, vítima de assédio profissional por se recusar a fazer serviço de
limpeza e jardinagem, sofreu complicada cirurgia neste final de semana.
A operação de descompressão do cérebro foi feita na madrugada de sábado (3),
após a constatação, por tomografia, de um perigoso edema (inchaço),
resultante do aumento de líquido entre as células.
A cirurgia começou por volta da meia-noite de sexta-feira e terminou às
2h30, no hospital São Lucas, onde o servidor continua internado, na ‘uti’,
em estado muito grave.
Segundo os médicos, o paciente teve distúrbios no cérebro que resultarão em
sequelas. Além disso, corre risco de infecção, pois está sem a parte
superior do crânio.
Jeir chegou ao hospital na segunda-feira (29), quando foi constatado um
acidente vascular cerebral (avc), provavelmente provocado pelo estresse de
ser submetido a inquérito administrativo na prefeitura.
Segundo o presidente do sindicato dos servidores estatutários (Sindest),
Fábio Marcelo Pimentel, a situação do servidor é grave. Diariamente,
diretores do sindicato vão ao hospital.
O diretor do Sindest Pedro Rodrigues da Matta, que tem acompanhado o caso de
perto, diz que sua mulher, Cláudia de Jesus Silva, “está inconsolável”.

Perseguição
“Não é para menos”, pondera o sindicalista. “Estava tudo bem na família
quando, de uma hora para outra, por causa de uma perseguição injusta,
acontece um problema desses”.
Pedro lembra que, além de enquadrar o servidor num inquérito administrativo,
a chefia e a coordenação de cemitérios da prefeitura cortaram suas horas
extras, diminuindo o ganho mensal.
Na segunda quinzena de dezembro de 2017, Jeir foi dispensado do serviço, e
mandado para casa, por se recusar a fazer serviço de limpeza e jardinagem.
O servidor procurou o Sindest, no dia seguinte, que designou três diretores
para irem ao cemitério da Areia Branca, pesquisar os detalhes do ocorrido.
Lá chegando, ficaram surpresos.
Isso porque a chefia mostrou a eles um papel, sem timbre da prefeitura,
dizendo que as atribuições de limpeza e jardinagem cabem também aos
sepultadores.
Segundo os sindicalistas, a chefa Jocelma garantiu que a tarefa é prevista
na classificação brasileira de ocupações, do ministério do trabalho. Pior:
disse que havia iniciado processo para normatizar a atividade.

Desvio
Convencidos de que as atribuições são de ajudantes de limpeza e jardineiros,
os dirigentes procuraram o coordenador de cemitérios, Bento da Silva Filho,
que abriu processo de insubordinação contra o reclamante.
Diante disso, os sindicalistas Carlos Nobre, Pedro da Matta e Roberto
Damásio foram aos cemitérios da Filosofia e do Paquetá, procurando em
seguida o secretário municipal de gestão.
Segundo Carlos Nobre, “o próprio ‘drh’ (departamento de recursos humanos) da
prefeitura se pronunciou no processo específico sobre as atribuições dos
sepultadores”.
“E, no parecer do ‘drh’, não constava limpeza e jardinagem, como quer o
coordenador carrasco”, explica o sindicalista. “Ele não pode implantar o
desvio de função aos sepultadores”.
Jeir teve paralisia do lado direito do corpo. Se tivesse sido no lado
esquerdo, ele poderia ter perdido a voz e a memória, segundo os
sindicalistas
O presidente do Sindest espera que o prefeito Paulo Alexandre Barbosa (PSDB)
e o secretário de gestão, Carlos Teixeira Filho ‘Cacá’, tomem providências
sobre esse e outras dificuldades nos cemitérios.

Bactérias
Os sindicalistas dizem que os servidores desses equipamentos têm que lavar
suas roupas de trabalho em casa, contaminadas por bactérias e muito sujas,
quando isso deveria ser providenciado pela prefeitura.
Esse é apenas um dos problemas diários enfrentados pelos trabalhadores, que
também sofrem com a falta de segurança policial e assédio de chefias.
As adversidades foram apontadas ao prefeito, pelo secretário de gestão, que
recebeu detalhado relatório do sindicato. Fábio aguarda resposta da
prefeitura para convocar reunião exclusiva desses trabalhadores.
Segundo Carlos Nobre, o sindicato e os trabalhadores aguardam resposta do
secretário sobre esses assuntos e também a respeito de uma reivindicação de
adicional específico pelas condições de trabalho.
Pedro da Mata, por sua vez, adverte que a falta de guardas municipais nos
cemitérios prejudica a própria população, alertando para a ocorrência de
assaltos armados nos locais.
“Estamos aguardando o desfecho do caso e uma resposta da prefeitura para
deliberar sobre o futuro da luta reivindicatória desses sofridos
trabalhadores”, finaliza o presidente do sindicato.

Sindicato dos Servidores Estatutários Municipais de Santos (Sindest, filiado
à Fupesp e NCST).
Rua Monsenhor de Paula Rodrigues, 73, Vila Mathias, Santos, 13-3202-0880,
contato@sindest.com.br , www.sindest.com.br .
Presidente: Fábio Marcelo Pimentel. Diretor de imprensa: Rogério Catarino.
Redação e fotos: Paulo Passos MTb 12.646, matrícula sindical 7588 SJSP.

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