Santa Casa, em foto de 1941, não recebe da Capep e quem se dá mal é o funcionalismo
A prefeitura de Santos está inviabilizando a caixa de assistência ao servidor público municipal (Capep) e pretende vender sua carteira de mutuários à iniciativa privada.
A denúncia é de dois diretores executivos do sindicato dos servidores estatutários municipais (Sindest), José Antônio Ferreira, secretário, e Josias Aparecido da Silva, social.
Segundo eles, a Capep deve mais de R$ 4 milhões a hospitais, clínicas, ambulatórios, laboratórios, consultórios e outras empresas de saúde da cidade.
Ferreira e Josias explicam, por outro lado, que a prefeitura deve à Capep mais de R$ 6 milhões. Eles querem que o prefeito Paulo Alexandre Barbosa (PSDB) esclareça a situação.
Josias soube que o presidente da Capep, Eustázio Alves Pereira Filho, sondou alguns vereadores sobre a intenção da prefeitura de aprovar na câmara modificações na legislação sobre a caixa
Essas mudanças, num primeiro momento, segundo o sindicalista, seriam para aumentar a contribuição dos servidores com a Capep. Atualmente, a categoria paga 3% do salário e a prefeitura, 4%.
“Nos bastidores”, prossegue o sindicalista, “detectamos insistentes intervenções de Eustázio no sentido da nova legislação possibilitar também a privatização da Capep”.
Crédito da foto: revista ‘Actas Ciba’, Rio de Janeiro, disponível no site ‘Novo milênio’
Sofrimento
“O prefeito precisa tomar providências”, reclama Josias. “Foi ele que colocou Eustázio na Capep. Pode ser que o presidente esteja obedecendo ordens do prefeito de tratar mal o servidor”.
Enquanto isso, lamentam os diretores do Sindest, a categoria sofre enormes problemas nas internações e atendimentos para cirurgias e tratamentos diversos.
Segundo Ferreira, “o funcionalismo está há um mês sem direito de fazer cirurgia eletiva na Santa Casa. Isso é um caso sério, uma desumanidade, uma injustiça”.
Josias revela que uma servidora “está há 90 dias gemendo de dor na coluna, de cama, sem trabalhar. Mas Capep inexplicavelmente não autoriza e cirurgia, mantendo seu padecimento”.
Se um internado tiver que fazer um exame fora do hospital, denuncia Ferreira, tem que arcar com o transporte, pois a Capep e o hospital não assumem essa responsabilidade.
Nesses casos, pondera o sindicalista, “os pacientes sem condições físicas de locomoção, e sem possibilidades financeiras de pagar por uma ambulância particular, ficam sem saída”.
Mentiras
Josias lembra que quando o sindicato, em 2016, anunciou a dívida da Capep, Eustázio e a prefeitura negaram. No entanto, ela acabou parcelando um débito após negociação com a Santa Casa.
Esse parcelamento, segundo o sindicalista, não está sendo pago. “Eustázio não paga o déficit atual nem o parcelamento. Mas, em audiências públicas, cheio de pastas em baixo do braço, fala que Capep está bem”.
Numa dessas audiências, lembra Josias, o presidente da Capep foi desmentido publicamente pelo diretor financeiro da Santa Casa, João Domingos Neto, e por um diretor do hospital São Lucas.
“Trata-se de um mentiroso descarado, um sujeito sem a menor vergonha de enganar a categoria, sindicalistas, políticos, imprensa e quem quer que seja”, desabafa o diretor do Sindest.
Segundo Josias, havia uma auditoria contratada pela Capep, mas que teve o contrato rompido por Eustázio. “A empresa entrou na justiça e ganhou. Agora, a Capep paga por algo que não usa”.
O sindicalista revela que muitos servidores têm movido ações contra a Capep, exigindo o direito de atendimento médico, a quem a justiça dá ganho de causa.
Desmandos
“Os desmandos ocorrem sem aval dos conselhos administrativo e fiscal. Definitivamente, o presidente não tem condições técnicas nem credibilidade para o cargo”, destaca Josias.
Ferreira critica o excesso de gastos em contas altíssimas de laboratórios de análises clínicas, de até R$ 200 mil. “Isso é um absurdo, pois a maioria dos exames tem validade de 30 dias”.
“Queremos respostas objetivas, mas ele faz apresentações teatrais de até uma hora, sem nada explicar, deixando todos cansados”, lamenta Ferreira.
O sindicalista quer saber ainda quanto a Capep gasta com a chamada casa do servidor, “cuja funcionalidade é zero. Poderia alugar o espaço ou fazer pré-atendimento”.
Sindicato dos Servidores Estatutários Municipais de Santos (Sindest, filiado à Fupesp e NCST).
Rua Monsenhor de Paula Rodrigues, 73, Vila Mathias, Santos, 13-3202-0880, contato@sindest.com.br , www.sindest.com.br .
Presidente: Fábio Marcelo Pimentel. Diretor de imprensa: Rogério Catarino.
Redação e fotos: Paulo Passos MTb 12.646, matrícula sindical 7588 SJSP.
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